O cerco contra a corrupção na Prefeitura de Marília teve mais um capítulo ontem com a invasão do prédio do paço municipal pela Polícia Federal e promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado)para apreensão de documentos e computadores. Diligências na prefeitura começaram por volta das 10h15 e só acabaram às 15h . A ação é mais um desenrolar do caso da suposta cobrança de propina envolvendo o ex-chefe de gabinete e ex-secretário da Fazenda Nelson Granciéri, o Nelsinho, que já foi afastado dos cargos por ordem judicial, perdeu recursos e é investigado por concussão e corrupção. Agente federal armado entra na casa de Nelsinho, zona leste, na manhã de ontem; acusado não estava e documentos foram apreendidos A ação conjunta da PF e do Gaeco cumpriu ainda outros nove mandados de busca e apreensão na cidade e numa gráfica em Bauru. O cerco se fechou ainda na casa de Nelsinho, na clínica de estética da esposa dele, na residência de um assessor e na sede do Jornal Atualidades incluindo a casa do proprietário Maurício Machado, vulgarmente conhecido como Palhinha que ano passado foi preso por tentativa de extorsão do ex-deputado federal Sergio Antonio Nechar. Além disso, mandados de buscas foram cumpridas em empresas de marketing que atuam em Marília e estariam ligadas ao esquema de corrupção implantado por Nelsinho na prefeitura. Segundo a PF, ele pode ser enquadrado por três crimes entre eles concussão e lavagem de dinheiro. Ao todo mais de 40 policiais foram mobilizados na ação, que começou por volta das 10h e terminou às 16h, com a apreensão de centenas de relatórios e documentos oficiais, além de mídias e computadores.
Esquemas marcam mais de 16 anos de corrupção. O esquema de corrupção no segundo andar da prefeitura não é novo. A escola de maus costumes nasceu há mais de 20 anos durante a gestão do ex-prefeito Abelardo Camarinha que, em 2001, chegou ter o chefe de gabinete Carlos Umberto Garrossino, o Carlinhos, preso em flagrante pela PF numa tentativa de extorsão. De lá para cá escândalos atormentam quem passa por lá. Carlinhos foi chefe de gabinete e também atuou com Nelsinho na primeira gestão Bulgareli no cargo de secretário da Administração. Já dessa vez o esquema de corrupção começou a ser revelado em setembro passado, quando a promotora Rita de Cássia Bergamo entrou com pedido de afastamento de Nelsinho dos cargos. Promotora Rita de Cássia Segundo a promotora, ele cobrava propina de empreiteiras contratadas com a prefeitura para a liberação de pagamentos. Nelsinho teria apenas nesse caso embolsado mais de R$ 75 mil.
Inquérito mostra detalhes e valores dos pagamentos feitos. Em um deles uma das empresas confirma ter depositado R$ 14.250 como parte de pagamento na conta bancária de Nelsinho, além de quitar débitos pessoais do secretário. As investigações mostram ainda que empreiteira pagou, por exemplo, dois boletos de cartão de crédito da esposa de Nelsinho, Adriana Guimarães Granciere, nos valores de R$ 4 mil e de R$ 1.244,98. Já no dia 1º de outubro o juiz da 4ª Vara Cível de Marília, Valdeci Mendes de Oliveira, concedeu liminar afastando-o por tempo indeterminado dos cargos em comissão que ocupava. A notificação e o afastamento efetivo de Nelsinho ocorreram no dia 5. No dia seguinte ele deu entrada na Justiça ao agravo de instrumento tentando derrubar a liminar, que acabou recusada pelo Tribunal de Justiça. Outras tentativas de reverter a situação também naufragaram. A última essa semana. Ameaça de morte e R$ 400 mil são oferecidos. O inquérito que determinou o afastamento de Nelsinho da prefeitura afirma que o ex-chefe de gabinete chegou a oferecer R$ 400 mil para empresários desistirem da denúncia contra ele. Além disso nos depoimentos um dos empreiteiros afirma que foi ameaçado de morte por capangas do acusado. Nelsinho sempre negou os fatos e diz que tudo não passa de uma armação política para derrubá-lo dos cargos. Segundo ele, a armação partiu do deputado Abelardo Camarinha que teria dado dinheiro aos empresários, versão não confirmada pela Justiça. Ontem Nelsinho não foi encontrado para falar sobre as acusações. Segundo a PGF, ele teria viajado com a esposa para Curitiba, no Paraná.
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