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| De JORNAL FOLHA ZONA SUL |
Ex-prefeito, ex-chefe de gabinete e dono da mecânica podem ter que ressarcir os cofres públicos por possíveis desvios feitos em serviços pagos, mas não executados. O Ministério Público Estadual denunciou publicamente no último dia 31, os desvios, serviços pagos e não prestados, e possível lavagem de dinheiro dos contratos entre prefeitura e a oficina São Carlos, através de ação civil pública. Demonstrando a clara intimidade entre as partes envolvidas, o ex-prefeito Mário Bulgareli, o ex-chefe de gabinete Nelson Granciéri e o proprietário da oficina Reinaldo Fernandes.
Funcionários e mecânicos que entraram em contato com a reportagem citaram o volume de pagamentos feitos não correspondentes aos serviços prestados, sem contar com o número de empenhos de pagamento feitos fora de ordem cronológica.
A ação de improbidade administrativa 1.357/2012, proposta pelo promotor estadual Isauro Pigozzi Filho, foi distribuída para a Vara da Fazenda Pública e está nas mãos do juiz Silas Silva Santos, correndo em segredo de Justiça.
O MP, com o apoio da Secretaria Estadual da Fazenda e do Instituto de Criminalística, concluiu que 97% dos pagamentos efetuados até agora foram feitos fora de ordem cronológica, conduta que confronta o determinado pela licitação de serviços dessa natureza. Além da identificação de que muitas das peças pagas pela prefeitura não deram entrada no estoque da oficina, em flagrante indicativo de que a São Carlos vendeu o que não comprou.
“Nada impede que a administração pública faça pagamentos fora de ordem, contanto que apresente publicamente, através de nota, uma justificativa para tal procedimento”, disse Pigozzi.
O pedido de segredo indica claramente que a ação prevê bloqueio de bens, quebra de sigilo, busca e apreensão, entre outras medidas propostas pelo MP. A ação prevê nulidade do contrato e devolução do equivalente a R$ 2,3 milhões por parte de Bulgareli, Nelsinho e Reinaldo Fernandes.
Só em 2011 foram pagos R$ 3,5 milhões na triangulação entre o ex-prefeito, o ex-chefe de gabinete e o proprietário da oficina. A administração do ex-prefeito Mário Bulgareli deixa para Marília uma dívida equivalente à R$ 60 milhões. Em 2012, o atual prefeito Ticiano Toffoli (PT) vem mantendo o esquema e já pagou mais de R$ 1,5 milhão à São Carlos, grande parte fora de ordem cronológica.
INVESTIGAÇÃO
O MP investiga ainda a aquisição de um barracão na rua Dr. Manhães, no Parque São Jorge, que tem Nelson Granciéri como suspeito de ser proprietário. Imóvel foi adquirido pelo valor de R$ 350 mil em nome de um funcionário da prefeitura que recebe mensalmente cerca de R$ 1.100.
Coincidência ou não, após as diligências do MP, Justiça e Polícia Federal, no final de 2011, a escritura definitiva do imóvel foi passada em nome do proprietário da oficina.
Segundo investigação e vizinhos do barracão, situação comprova a intimidade dos negócios entre Nelsinho, Bulgareli e Reinaldo Fernandes. O suposto comprador inicial do prédio mora hoje em uma edícula na zona oeste. MP e Receita Federal já investigam o caso.
Além da ação civil, já foi proposta também uma ação criminal.







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